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SÍNTESE APRESENTADA PELO GRUPO TEMÁTICO DA FAUNA em 2010

O Grupo Temático da Fauna foi coordenado pela pesquisadora Georgina Bond Buckup, professora colaboradora do Departamento de Zoologia da UFRGS e membro da ONG IGRE, que orientou o trabalho dos dois sub-grupos: invertebrados e vertebrados.
A elaboração desta Primeira Síntese do Conhecimento Atual a cerca da Biodiversidade da Fauna do Rio Grande do Sul foi possível devido à contribuição e disponibilização de dados por parte dos pesquisadores.
As informações aqui disponibilizadas foram sintetizados e organizados pela professora Georgina Bond Buckup até o final de 2010.

INVERTEBRADOS TERRESTRES E LÍMNICOS:

De maneira geral, o conhecimento da diversidade dos invertebrados terrestres e límnicos ainda é incipiente no Estado.

A fauna das esponjas de águas continentais é considerada rara ao nível mundial, constituíndo indicadores biológicos da qualidade de águas em condições naturais, desaparecendo de rios, lagos, lagoas e açudes impactados por efluentes domésticos e industrias ou por cargas de sedimentos oriundos de deslocamentos de solos. É utilizada como indicadora de águas naturais e de ambientes aquáticos em processos de recuperação, assim o seu reaparecimento serve para balizar a eficiência de tais processos.
O fato de haverem sido descritas 3 espécies novas nos últimos anos, sendo duas endêmicas, constitui um indicativo de que levantamentos mais abrangentes nas Bacias Hidrográficas do RS podem contribuir para a descoberta de novas entidades taxonômicas. As áreas recomendadas para desenvolver mais esforços de campo na amostragem compreendem as do rio Uruguai, desde o rio Pelotas, e, na metade sul, as dos rios Ibicuí, Santa Maria, nascentes do rio Negro e bacia Mirim-São Gonçalo.

O grupo dos Platyhelminthes é ainda pouco estudado no Estado. Dos Tricladida são conhecidos somente cerca de 30% das espécies registradas para o RS, que atualmente compreende 120 espécies.
Uma avaliação preliminar do grupo dos Microturbelários registra 50 espécies. Neste grupo há grande interesse em estudos ecológicos desenvolvidos em áreas manejadas para agricultura, especialmente arrozais e de extração de madeira.
Estima-se que apenas 40% das espécies dos Temnocephalida sejam conhecidas, atualmente há registro de 12 espécies para o Brasil, sendo que 8 dessas ocorrem no RS.
Como meta para este grupo, propõem-se a ampliação de amostragens em Ecossistemas Aquáticos, especialmente nos Ecossistemas Lênticos e Lóticos, em áreas de Floresta Estacional e Ombrófila, em especial no Alto Uruguai, Missões, Encosta Inferior do Nordeste, Encosta Superior do Nordeste, Depressão Central.

Os moluscos terrestres estão representado no Estado por 79 gastrópodes terrestres nativos e 7 exóticos, distribuídos em 23 famílias. Entretanto, este número está subestimado, pois existem muitas áreas do Estado que não foram amostradas suficientemente. A maioria dos grupos carece de revisão taxonômica.
Das 23 famílias que ocorrem no RS, apenas Veronicellidae possui revisões concluídas. Três espécies de moluscos terrestres estão na Lista da Fauna Ameaçada do RS, nas categorias vulnerável e criticamente em perigo. Este número deve ser maior, dado a intensa ação antrópica nos ecossistemas naturais do Estado.
No que se refere ao escasso conhecimento da malacofauna terrestre do Estado, a problemática maior é a falta de taxonomistas nas Instituições de Pesquisa, a conseqüente dificuldade de formação de novos recursos humanos e à existência de áreas sub-amostradas no Estado, como o Bioma Pampa.
O estudo da diversidade do RS é urgente, tendo em vista a rápida modificação dos ambientes naturais, em função das atividades antrópicas e da invasão de espécies exóticas.

Sobre os moluscos bivalves límnicos nativos o conhecimento é igualmente escasso, estimado em 40% do conhecimento do grupo, refletindo a ausência de amostragens em diversas regiões. Destaca-se a Bacia do rio Uruguai, que segundo levantamentos iniciais já realizados, constatou-se ser um dos “hotspots” do mundo, por trata-se do rio com a maior biodiversidade de moluscos na América Latina.
A ordem Unionoidea (Unionoidea + Etherioidea) é especialmente interessante por seus representantes apresentarem: origem muito antiga (Gondvânica); alto grau de endemismo; um ciclo de vida único, que inicia com uma fase larval parasitária em peixes que servem como veículo de dispersão; em fase posterior colonizam o sedimento bentônico onde se desenvolvem e se reproduzem, vivendo por longos períodos de vida (mais de 100 anos); e por estarem globalmente ameaçadas. Na região Neotropical são conhecidas 172 espécies. Na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (2004) constam 22 espécies deste grupo, sendo que 11 destas são registradas para o RS.
Na ordem dos Veneroida, a família Sphaeriidae também apresenta alto grau de endemismo; as espécies são exclusivamente bentônicas e boas indicadoras ambientais. A família é carente de revisão taxonômica. Pouco se conhece sobre a diversidade deste grupo no Estado e espécies novas ainda estão sendo descritas.
O conhecimento dos moluscos bivalves límnicos invasores é uma grande preocupação, são registradas 5 espécies para as águas interiores do Estado, e todas causam sérios prejuízos ao meio ambiente, por afastarem e sufocarem a fauna de bivalves nativos.

A estimativa do conhecimento sobre os moluscos marinhos é de cerca de 80%, bem melhor que para os moluscos continentais. Como metas para ampliação do conhecimento das espécies límnicas recomenda-se maior esforço de amostragens nos cursos superiores de rios, rios das bacias do curso médio do rio Uruguai e do Jacuí, bem como nas Lagoas Costeiras e Matas Ciliares.

Estima-se que apenas sejam conhecidas 60% das espécies do grupo das aranhas (Arthropoda-Araneae) ocorrentes no RS.
Neste grupo 5% das espécies terrestres foram descritas, enquanto que as com ocorrências nas matas ciliares e vegetação macrófita cheguem a 30%.
Para a ampliação de estudos das aranhas do RS recomenda-se a realização de amostragens na Depressão Central, Campanha, Região Norte e Nordeste, Restingas e nas dunas da Planície Costeira do Estado .
Nos Arthropoda-Insecta encontram-se várias famílias megadiversas, muitas delas ainda não estudadas e portanto, sem dados sobre o estado do conhecimento.
Das 127 famílias conhecidas de coleópteros, 104 ocorrem no Brasil. As únicas famílias, com especialistas no Estado, são Cerambycidae, Chrysomelidae, Scarabaeidae e Carabidae.
A família Cerambycidae está representada no Rio Grande do Sul por 424 espécies; sendo que 10 são endêmicas (Monné & Bezark, 2010), 7 foram incluídas no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul (2003) (Cerambycidae e Chrysomelidae). Destas famílias, 4 também constam no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2008).

As metas sugeridas pelos pesquisadores ressaltam a necessidade do mapeamento dos locais de coleta para definir locais não amostrados no Estado, com destaque para a metade oeste, o Bioma Pampa e muitas Unidades de Conservação. Também recomendam a diversificação das metodologias de coleta para a fauna de solo arenoso, serapilheira (uso de pitfalls), meio aquático, coleta em dossel (fogging), coletas específicas (ex. fungos, cavernas, fauna de tronco em decomposição, fauna cadavérica – necrófagos, polinizadores, bioindicadores de qualidade ambiental, ecossistemas aquáticos lóticos e lênticos, etc.).

Com relação aos insetos Heteroptera, a sistemática continua sendo a mais estudada, assim como o papel das espécies domiciliadas na epidemiologia da doença de Chagas. Há, porém, um grande desconhecimento sobre a bionomia (ramo da biologia que estuda o comportamento das espécies em um determinado ecossistema) e ecologia da grande maioria das espécies que são consideradas silvestres.
Os Reduviidae, Triatominae são compostos por 141 espécies, com 11 ocorrendo no RS. As espécies de Triatominae estão dispersas de maneira descontinua pelo Estado, com ocorrência registrada para três espécies do gênero Triatoma no RS.
Outro grupo de Heteroptera, os Pentatomóideos, com 144 espécies registradas no RS, ocorre em todas as regiões e ecossistemas terrestres da região. No conhecimento do grupo destaca-se a sistemática seguida da bionomia, em especial de espécies de Pentatominae. Análises de levantamento da biodiversidade são recentes, destacando-se os trabalhos no Parque Estadual do Turvo, nos butiazais de Tapes e na Serra do Sudeste. Estudos mais intensivos devem ser desenvolvidos no Pampa, na Floresta Ombrófila Mista e nos Campos de Cima da Serra.

O conhecimento das borboletas, (Lepidoptera), é estimado em 50 a 70% das espécies que devem ocorrer no RS.
Os Rhopalocera estão representados por 6 famílias, conhecidas 750 espécies numa estimativa total de 1.000 a 1.100 espécies para o Estado.
Dentre os ecossistemas considerados prioritários para fins de inventariamento, destacam-se os campos nativos, as matas ciliares, mata de Araucaria; a Floresta Ombrófila Densa; a Floresta Pluvial Subtropical do Alto Uruguai, Savana Estépica, as matas paludosas, banhados e restingas.
Os especialistas destacam, entre as metas a serem alcançadas, a produção de Lista Estadual de Espécies e a revisão da Lista de Espécies Ameaçadas, a condução do inventariamento dos lepidópteros de Unidades de Conservação (UCs), principalmente naquelas definidas como de proteção integral e ainda, áreas de especial interesse ecológico e/ou com conhecimento insuficiente e/ou habitats nativos especialmente ameaçados e subrepresentados na rede de UCs (Pampa em especial). É importante fomentar estudos que forneçam subsídios para impedir monoculturas agressivas com manejo intensivo e uso freqüente de defensivos agrícolas; silvicultura; nas áreas de amortecimento e zonas tampão das UCs, entre outros.

Os crustáceos constituem um grupo bastante diverso, com mais de 500 espécies
registradas para os ambientes terrestres, semiterrestres, marinhos, estuarinos e límnicos do Estado. No entanto, essa estimativa, feita há mais de 15 anos, deverá ser atualizada pelos especialistas de cada grupo uma vez que na ultima década houve uma forte descaracterização desses ambientes. Cerca de uma dezena de espécies que ocorrem em cursos d´água continentais e em estuários do RS são consideradas prioritárias para a conservação e algumas constam nas Listas Estadual e Nacional das Espécies Ameaçadas de Extinção.
Há três grupos sistemáticos cujo conhecimento encontra-se mais adiantado na comparação com outros menos estudados. Os decápodos das famílias Parastacidae (Astacidea) e Aeglidae (Anomura) vem sendo objeto de estudo intensivo no Departamento de Zoologia da UFRGS, desde 1975. A UFRGS possui hoje a maior coleção de lagostins límnicos neotropicais do mundo e uma coleção virtualmente completa das setenta. espécies de eglideos, que são endêmicos na América do Sul.
Outro grupo de crustáceos com adiantado estado de identificação no estado é o dos Isopoda terrestres, popularmente denominados “tatuzinhos”, como resultado do núcleo de pesquisas na UFRGS.
No entanto, apesar das informações já publicadas, ainda ocorre a necessidade de intensificação de pesquisas, que incluem, como meta para os próximos anos a necessidade de realizar-se campanhas de coleta na região centro-oeste, incluindo o Bioma Pampa e a implementação de políticas públicas na conservação de áreas que abrigam remanescentes da Mata Atlântica no nordeste do RS e no entorno da Lagoa dos Patos.

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