A primeira reunião da Câmara Técnica ocorreu no dia 22 de maio de 2010, iniciando o debate sobre a situação atual e as propostas para a efetiva proteção da biodiversidade no Rio Grande do Sul, em especial avaliar o quanto ainda estamos longe de atingir as metas definidas pelas Conferências das Partes da Convenção da Biodiversidade, para 2010, das quais o Brasil é signatário, e o que deve ser feito a curto, médio e longo prazos.

Síntese apresentada pelos Grupos Temáticos:

Grupo da Fauna:

Os pesquisadores reunidos na temática da Fauna, iniciaram pela apresentação de suas áreas, subdivididos nos ambientes aquáticos e terrestres. Assim, a manifestação de cada pesquisador destacou o que conhecia sobre a diversidade da Fauna, as principais lacunas existentes, especialmente sobre metodologias de coleta, ausência de compilação de dados históricos, entre outros.
Com o objetivo de sistematizar as idéias que foram debatidas, o grupo da Fauna relacionou, entre outros, que há um conhecimento muito heterogêneo sobre diferentes grupos animais e problemas relacionados à delimitação das distribuições de ocorrência das espécies. O grupo mencionou que:
- muitas espécies foram descritas recentemente, necessitando o acréscimo do número de especialistas e de projetos;
- há impactos sobre a fauna de diferentes ordens; as coleções científicas têm carência de informações e de tecnologia;
- e, ainda, detectou que há muitas informações já existente, necessitando haver a efetiva utilização e disponibilização, como o Diagnóstico Ambiental do RS, elaborado pela FZBRS.
Os presentes do Grupo da Fauna decidiram se organizar em sub-grupos, nomeando um coordenador por cada grupo de Fauna. Através desses coordenadores ocorrerá a articulação com a coordenação geral do Grupo Temático da Fauna. Outros contatos podem ser feitos através dessa coordenação geral.

Grupo da Flora:
Dentre os presentes, foi consenso que o grupo necessita elaborar uma lista atual da Flora do RS e, ao mesmo tempo, definir as lacunas no conhecimento taxonômico da Flora do Estado.
Foram citadas algumas famílias (gêneros) que precisam maiores estudos taxonômicos, tais como: Apocynaceae; Cactaceae (livro da FZBRS); Cyperaceae (Rhynchospora); Euphorbiaceae (exceto Euphorbia); Hypericaceae; Lamiaceae; Fabaceae (Mimosa); Lythraceae; Malvaceae; Onagraceae (Ludwigia); Oxalidaceae; Polygonaceae (Rumex) e Orchidaceae, dentre outras que ainda deverão ser apontadas.
Foi ressaltado há carência de especialistas em determinados grupos, como Líquens, Pteridófitas, Briófitas e Fungos, dentre os presentes na câmara temática. Pesquisadores destes grupos deverão ser envolvidos; devendo contatar a coordenação da Flora.
O grupo ressaltou a necessidade da elaboração de um mapa de distribuição dos estudos florísticos e quali-quantitativos já realizados no RS, para assim ter uma visão das atuais lacunas de conhecimento, também em termos de regiões subexploradas.
Também foi salientada há necessidade da revisão das Listas de Espécies Ameaçadas Estadual e Federal, com a atualização da nomenclatura e avaliação da presença/ausência de táxons; bem como, da definição de ecossistemas/regiões prioritários em relação ao grau de conhecimento da Flora e, no caso de bom conhecimento florístico, em relação ao grau de ameaça do ecossistema em si.
Como exemplo de sistemas gravemente ameaçados, foram citadas as formações de banhado. Algumas regiões específicas foram mencionadas durante o encontro, mas estas e outras serão efetivamente levantadas para construção do Diagnóstico da Flora do RS. Neste sentido, destacou-se que o Inventário Florestal Contínuo do RS, organizado pela UFSM, não foi tornado efetivamente público.
Também foi destacada há importância de uma Lista das espécies invasoras presentes no Estado, com suas respectivas distribuições e potenciais zonas de expansão e/ou retração.
Pesquisadores que não puderam estar presentes na reunião do dia 22/05, mas que estejam interessados em participar do grupo temático da Flora ou tenham dados para contribuir com a construção do documento da Flora devem entrar em contato com a coordenação deste Grupo Temático via e-mail das coordenadoras.

Grupo das Políticas Públicas:
O grupo listou diversos itens que demandam o desdobramento em Políticas Públicas como, por exemplo: fortalecimento institucional, unidades de conservação, integração das políticas ambientais com outras políticas setoriais, conhecimento da biodiversidade, participação social em colegiados ambientais, estímulos econômicos para a conservação, etc.
Foi sugerido a listagem das Políticas Públicas existentes nos níveis Federal, Estadual e Municipal no âmbito do Rio Grande do Sul. Também foi proposta a elaboração de uma lista sobre cada tema ambiental para monitorar as políticas correspondentes, tanto as existentes como as necessárias e ainda não implementadas.
Foram sugeridas algumas iniciativas que poderiam ser articuladas junto aos setores competentes como, por exemplo, um projeto permanente de fomento à produção e sistematização do conhecimento da biodiversidade, que poderia ser denominado de Biota RS, similar ao programa já instituído pela FAPESP no estado de São Paulo.
Outra proposta foi a de mapear as fontes de recursos existentes para Políticas de Biodiversidade a partir de fundos públicos. Por fim, recomendou-se a necessidade de dar ênfase para a escala regional e de paisagem na compreensão e solução dos problemas de conservação da biodiversidade e de definir prioridades para contextos ecológicos particulares como os mosaicos de campo e floresta com araucária e as áreas verdes em aglomerados urbanos.
As sugestões para o documento final devem ser enviadas para a coordenação do Grupo Temático sobre Políticas Públicas via e-mail.

Informações Gerais:
Entre as conclusões preliminares da Câmara Técnica, através dos três Grupos Temáticos, destacou-se a existência de muitas lacunas de conhecimento taxonômico de vários grupos de Flora e Fauna, a ausência de conhecimento sobre o estado de conservação das populações de espécies ameaçadas, ou dos ecossistemas ameaçados, especialmente pela conversão de áreas, a forma inadequada com que os conflitos socioeconômicos e ambientais são tratados, e a falta de integração entre políticas de desenvolvimento e de conservação e uso sustentável da biodiversidade. Além disso, destacou-se a necessidade de zoneamentos ecológico-econômicos para todas as regiões do Estado e o fato do RS ter um dos mais baixos percentuais de unidades de conservação (somente cerca de 0,7% são UCs de proteção integral), enquanto que as Metas da CDB, ratificadas pelo Brasil em 2006, assinalam um mínimo de 10% de áreas protegidas para cada tipo de formação.

De forma mais concreta, os Grupos Temáticos da Fauna, Flora e Políticas Públicas se comprometeram em organizar um documento com o Diagnóstico atual da Biodiversidade do RS, que seja, ao mesmo tempo, propositivo de áreas/grupos prioritárias/os para a Conservação ou para a realização de estudos específicos, bem como de Políticas Públicas para a Biodiversidade no RS.

Nos próximos meses os Grupos Temáticos estarão trabalhando em conjunto na compilação e construção de um documento síntese sobre a Biodiversidade do RS. A data limite para a finalização desta etapa dos trabalhos foi estipulada para o dia 30 de agosto de 2010. Após ocorrerá um novo encontro da Câmara Técnica, para a reunião e padronização das informações no documento final. A data será sugerida em breve pela mesma comissão que organizou o evento “Fronteiras da Biodiversidade”.

Os interessados, devem entrar em contato com os coordenadores dos grupos temáticos através dos seus e-mails (veja ao lado), a fim de se integrarem e colaborarem com informações e sugestões.

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